Quem sou eu
- Adriano Roberto de Souza
- Bragança Paulista, São Paulo, Brazil
- Discípulo de Jesus, casado com Clélia, pai da Victória e feliz por tudo isso.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
TENHO MEDO
Já se passaram quatro anos.
Eu não sei o que aconteceu comigo nesse período, mas eu sei que não foi nada bom.
Muitas vezes eu olho para trás e fico me perguntando por que é que tudo teve que terminar assim.
É claro que eu nunca fui um mega homem, mas sempre fui suficientemente humano para saber reconhecer minhas fraquezas e tentar superá-las.
E, via de regra, eu sempre consegui.
Me livrei das drogas completamente, parei de beber, de fumar e me tornei um homem de caráter e palavra, coisa que nunca havia sido até os vinte e dois anos de idade.
Tudo isso aconteceu como por milagre. Ora, foi um milagre!
Bastou que eu me decidisse e convidasse Jesus para me deixar caminhar com Ele no chão da minha existência e eis que tudo se fez novo.
O que era apenas morte e desesperança, tornou-se uma "história nova e linda, escrita pelo dedo de Deus".
De 1996 a 2008 eu tive plena convicção de que o caminho que eu escolhera era o mais acertado de todos.
Realmente, de uma pessoa totalmente sem perspectivas concretas e plausíveis, que tinha como maior objetivo de vida, apenas chegar aos trinta anos de idade, eu me tornara agora, uma pessoa com visão, determinada, focada, com planos e metas bem definidas. Tudo isso me dava a impressão que aquilo era o que de fato eu seria para sempre.
Mas aí veio a decepção.
E somada a ela, vieram a incerteza, o despreparo, a revolta e a frieza!
Claro que eu deveria ter vigiado. Claro que eu deveria ter liberado perdão o mais rápido possível.
Claro que eu não deveria ter me escondido de Deus, mesmo quando cometi o mais sórdido dos pecados. Claro que eu não deveria ter adotado aspectos do meu antigo estilo de vida, depois de tê-los abandonados há muito. Claro que, como a porca lavada, eu não deveria ter voltado ao lodo.
Claro que eu poderia ter feito tudo diferente. Claro!
Mas não fiz!
Eu fiz tudo errado.
Amei quem não devia. Odiei quem não podia. Magoei quem não merecia. Abandonei quem não abandona nunca. Desonrei quem é digno.
Meu peito sangra. Minh'alma chora. Minha face se enrubesce. Minha cerviz se dobra.
O sorriso que carrego no rosto é apenas para esconder aquilo que realmente me acontece dentro, em mim.
Estou espiritualmente derrotado.
Alguém me disse que devo orar, jejuar, ler a bíblia, que tudo isso vai passar.
Não o culpo. Já fui assim. Já curei superficialmente a ferida de muitos, dando a eles paliativos no lugar de cura.
Mas não aprendi assim a Cristo. O Cristo que conheço não aceita suborno, nem faz barganhas.
O Cristo que aprendi a amar e respeitar só aceita aqueles que se achegam a ele com mãos vazias, almas quebrantadas e corações contritos. Sem nada mais a oferecer, a não ser a si mesmo.
É por isso que estou com medo. Pois sei que esse Deus é fogo consumidor. Sei que com esse Deus não se brinca. Sei que Dele não se zomba. Sei que do campo de Deus, tudo o que se plantar, se ceifa. Sei que esse Deus honra somente os que o honram. Sei que esse Deus tem nas mãos as chaves da vida e da morte.
E por isso estremeço. Por isso quero me esconder. Por isso não quero o confronto.
Mas, muito mais medo eu tenho de não o buscar, a tempo de o encontrar.
Eu estremeço muito mais com a hipótese de nunca mais o adorar. De nunca mais o ouvir. De nunca mais contar com sua ajuda. De ter que viver o resto da minha existência entregue a mim mesmo.
Ó, miserável homem que serei!
Por isso, tenho medo!
Senhor, faz comigo como fizeste com Pedro. Me tome pela mão e me traga à tona para respirar, pois estou com muito medo!
sábado, 5 de maio de 2012
OUTRAS REMINISCÊNCIAS
Relato de
um gadareno qualquer.
Eu me
assentara à beira-mar.
Podia
ouvir as rajadas de vento como um atormentador fundo musical.
Uma grande
tempestade estava acontecendo não muito longe do lugar em que eu estava.
Até esse
momento eu estava lúcido. Era difícil permanecer nesse estado por muito tempo.
Não me recordo exatamente, mas tenho por mim que essas ocasiões foram
raríssimas e, os períodos de lucidez, cada vez mais curtos.
Durante a tempestade
eu podia ver a silueta de uma pequena embarcação sendo agitada pelo vento forte
que açoitava o lago naquela manhã.
“Pobres
homens.” – pensei comigo mesmo – “Nunca conseguirão chegar a salvo na margem do
lago.” – conclui.
Surpreendentemente,
algo aconteceu de repente. E aquela imagem começou a mexer comigo.
Um homem
se colocou em pé na proa do barco e instantaneamente todo aquele cenário de
caos foi substituído por uma calmaria jamais imaginada pelo maior de todos os
otimistas naquele momento.
Aquilo me
intrigou. Que homem seria aquele? Que gesto era aquele que ele fez com as mãos
levantadas aos céus? Como as ondas do mar se acalmaram e o vento cessou depois
disso?
Não tive
tempo para sequer pensar em respostas plausíveis para aquelas questões, pois
imediatamente após esse fato os espíritos imundos que habitavam o meu corpo se
rebelaram dentro de mim, me levando a mais um quadro de possessão demoníaca.
Não era a
primeira vez. Mas foi a última.
Eu sofria
havia muitos anos com aqueles demônios habitando meu corpo. Eles me obrigavam a
andar nu pelas ruas.
As mães já
não deixavam suas filhas brincarem livremente nas calçadas com medo que eu as
violentasse. Não as culpo. O quê se esperar de um homem que anda pela rua
mostrando sua genitália?
Quando meu
drama começou, minha família me abandonou à própria sorte. Também não os culpo.
Eu me tornara um homem violento e sanguinário. Já não poderia conviver
pacificamente com minha esposa e filhos. Eles não mereciam isso.
Fiz da rua
minha morada, das estrelas minha companhia e do mundo meu chão! Vagava
solitário pelas colinas e por lugares inóspitos!
O meu
estado se tornara tão lastimável que várias vezes foi preciso que me
acorrentassem para que eu não ferisse a mim próprio e aqueles que cruzassem meu
caminho. Fora preciso contratar força policial para me vigiar.
No último
estágio da possessão, comecei a arrebentar os grilhões que me prendiam e a me
ferir com pedras. Fui de mala e cuia para o cemitério e lá me instalei
definitivamente.
É
impressionante o que o diabo pode fazer com a vida das pessoas, não é mesmo?
Eu que
sempre fora um pacato cidadão, que sempre fora amável com as pessoas, que
sempre fora tão gentil até com os animaizinhos de rua, agora, por ação do
inimigo de minha alma, trato as pessoas como inimigas e sou tratado como a
escória da terra, o lixo entre os homens.
Mas tudo
haveria de mudar.
Eu não me
recordo, mas havia muita gente lá para confirmar o fato.
Ao
ancorarem aquela pequena embarcação à beira do lago, eis que Ele desceu em
terra.
Fui
compelido pelo demônio a ir ao encontro dEle.
Eu não planejara aquilo. Nem poderia,
uma vez que meus sentidos estavam todos entregues a ação diabólica.
Quem presenciou me disse que os
espíritos imundos não ousaram se aproximar dEle, ao longe prostraram meu corpo
ao chão e clamaram em alta voz: “Jesus, Filho do Deus Altíssimo, o que você
quer de mim? E porque você quer me atormentar? Por favor, não faça isso!”.
Contaram-me que Ele perguntou o nome do
espírito. “Legião” - respondeu o demônio.
Aqueles que me atormentaram por vários
anos, agora estão prostrados diante do Filho de Deus, implorando que sejam
tratados com misericórdia, que não sejam enviados de uma vez por todas ao
abismo.
Sua hora chegara. Chegara o dia do
acerto de contas. Agora pagarão por todo o mal que realizaram a mim, a minha
família e a toda a comunidade.
Os discípulos de Jesus não entendiam o
motivo dele não me exorcizar logo de cara e de ainda atender ao pedido da
legião.
Eu também não tenho entendido muita
coisa, mas aquilo que entendi até aqui, é suficiente para que eu mantenha um
relacionamento saudável com Deus.
Os demônios saíram do meu corpo e
entraram nos porcos. Os criadores ficaram assustados com a morte de seus
animais e foram ao encontro de outros na cidade. Uma grande multidão afluiu para
lá, para ver o que tinha acontecido.
Seu medo só aumentou quando chegaram e
me viram aos pés de Jesus, assentado, vestido e em meu perfeito estado de saúde
mental.
Aquilo os perturbou! Como isso se dera?
Que poder era aquele, capaz de transformar uma vida assim num piscar de
olhos?
Como seus corações não estavam prontos
para reconhecer uma verdade ainda que gritante, ainda que evidente, ainda que
lhes saltassem aos olhos, aqueles homens exigiram que Jesus saísse de suas
cercanias.
Como puderam testemunhar um milagre tão
grande e recusar o Deus que realiza milagres?
Eu não conseguia compreender! Mas
hoje vejo que esse mal está arraigado no coração humano.
São muitos aqueles que
experimentam um milagre e não estão minimamente interessados em ter um encontro
com o Deus que realiza milagres. Querem as bênçãos, não o Abençoador. Lamentável!
Como fora rejeitado, Jesus decidiu
partir e foi em direção ao barco.
Eu não podia deixá-lo ir.
Ele fizera tanto por mim, queria
retribuí-lo de alguma forma.
Talvez eu pudesse ingressar em sua
caravana. Talvez eu pudesse servir com meu testemunho.
Se tantos já o seguem, imagine quando
ouvirem aquilo que tenho para contar?
Já antevejo conversões massivas,
cruzadas evangelísticas em todas as regiões da Palestina, grandes cultos de
avivamento em praça pública. Servirei de grande influenciador! Ajudarei sobremaneira
o evangelho com meu testemunho!
Eu corri atrás de Jesus. Lancei-me aos
seus pés suplicando que Ele permitisse que eu o acompanhasse. Queria servi-lo
como pagamento pela minha cura.
Foi então que meu mundo caiu. Ele não
me quis ao seu lado. Como não? Eu sou de grande utilidade para a causa da
pregação! Como Ele, que não negou um pedido dos demônios, se recusa a me atender?
Hoje eu sei que Ele fez o melhor por
mim.
Minha família ficara privada da minha
presença por muitos anos. Agora meus filhos teriam a chance de ter um pai de verdade.
Minha esposa finalmente desfrutaria de uma relação a dois com um homem de verdade.
A sociedade teria o privilégio de ter um cidadão consciente de seu papel, um
cidadão de verdade.
E o melhor de tudo: poderiam ouvir de
mim, sobre tudo o que Deus me fizera.
Hoje, eu rasgo o mundo contando a todos
o bem que me fez o Eterno.
E a Jesus, só tenho uma palavra:
Obrigado!
(Adaptado dos evangelhos de Jesus escritos
por Marcos (5:1 a 20) e Lucas (8:26 a 39))
Nele, que não nos deixa cair em tentação e sempre nos livra do
mal!
Adriano Roberto
Bragança Paulista, 05.05.2012
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
REMINISCÊNCIAS
MEMÓRIAS DE UMA SIMPLES SAMARITANA
Era a primeira vez que eu o via.
Eu ainda o veria muito.
Mas essa, sem dúvida era a primeira vez.
Se eu já o tivesse visto, lembraria.
Um homem como ele não dá para esquecer com facilidade.
Aquele final de manhã-início de tarde se parecia com tantos outros que eu já vivera; até que eu o vi.
Eu não podia culpá-lo por estar ali.
Se alguém estava fora de contexto esse alguém era eu.
Àquela hora do dia todas as outras mulheres já haviam ido buscar água e já estavam bastante adiantadas em seus afazeres domésticos.
E eu tinha tudo ainda para fazer: limpar a casa, preparar o almoço, mandar as crianças para o colégio, lavar roupas, entre outras coisas.
E eu andava tão cansada!
Tinha que me desdobrar para fazer tudo isso em tão pouco tempo.
Dispunha de apenas metade do tempo que as outras mulheres.
Mas não, podia me queixar.
Preferia isso a ouvir o burburinho que vinha de todos os cantos quando estava presente.
Não suportava mais os risinhos das meninas que acompanhavam suas mães até aqui.
Todas as manhãs elas falavam mim, elas riam de mim.
Se já não bastasse toda a dor que carregava na alma pelos fracassos dos meu cinco casamentos.
Como se fosse pouco viver com um homem que aceitava me dar casa, comida e sexo, mas se recusava a me dar seu sobrenome.
Isso sem contar os porcos nojentos que me viam como uma meretriz e tentavam a todo custo se aproveitar de mim.
Era por isso que eu ia naquela hora.
Naquele horário a fonte sempre era um local solitário.
Era mais difícil para carregar tanta água com o sol causticante do meio-dia, mas o "custo-benefício" era bem atraente: meu corpo ficava todo arrebentado, mas em contrapartida, meu coração se acalmava.
Mas naquele dia tudo seria diferente.
Lá estava ele!
Assustei-me a princípio.
Depois o fitei longamente.
Sua aparência era a de um viajante cansado da jornada.
Havia suor em sua fronte e poeira em seus pés.
Sua boca estava esbranquiçada pela sede e sua respiração alterada pelo calor excessivo.
Carregava um cajado e um cinto cingia seus lombos.
Só não me atrevi a olhá-lo nos olhos, pois meu opróbrio me impedia de encarar qualquer homem que fosse.
Mas deveria ter feito isso, penso agora; se tivesse mirado seu olhar, veria que não se tratava de um simples camponês e com certeza teria antecipado o fim do meu sofrimento.
Quando estava resoluta a dar meia-volta e quem sabe retornar em outra oportunidade, decidi examiná-lo novamente.
Só então, passado o susto inicial, é que tomei conta que aquele estranho nada mais era que um estrangeiro.
Pior: pelo seu modo de se vestir e pela barba, com certeza era judeu!
Essa constatação me encheu de coragem, me fez estufar o peito e ir em frente.
Por dois simples motivos: 1 - Ele não conhecia minha história de vida. 2 - Por ser judeu, era pior do que eu.
Pronto.
Meu problema vespertino estava resolvido.
Aproximei-me da fonte, e sem me importar com a presença daquele intruso, comecei a encher meu cântaro, deduzindo que aquele senhor não ousaria me dirigir a palavra.
Na medida em que retirava a água, meu coração se agitava, pois pude perceber que o homem sentado à beira do poço não tirava os olhos de mim.
Um silêncio "sepulcral" reinava naquele local.
A angústia e o medo me tomavam de assalto, quando ouvi aquela voz doce e serena: "Você seria capaz de me dar um pouco de sua água para aplacar minha sede?".
Estribada em meu preconceito, dei a ele uma resposta cheia de arrogância: "Será que não deu para o senhor notar que eu sou uma mulher samaritana? Ou está esquecido que o senhor é judeu?".
Pensei que aquela reposta serviria como uma barreira entre aquele homem e eu.
Enganei-me.
Aquele sujeito estava disposto a me tirar do lugar-comum e não descansaria até conseguir.
"Se você conhecesse a bondade de Deus e quem é que está pedindo água para você; você é quem pediria e ele te daria água viva." - disse ele calmamente.
Minha paciência que já não andava muito grande, se esgotou por completo depois disso. "Escute aqui meu senhor..." - disse eu - "... eu vejo que você não está preparado para tirar água desse poço, principalmente por ser muito profundo, e vejo também que não tem sequer um copo de água, de onde vai tirar água viva?" - conclui perguntando.
Sem dar tempo para que formulasse sua resposta, logo derramei sobre ele toda a minha amargura: "Quem você pensa que é? Esse poço é uma herança de família, de onde beberam nossos antepassados em especial o patriarca Jacó. Você acha que é maior que esse homem?".
Hoje percebo que perguntas como aquela que fiz sempre brotam de corações de pessoas com um histórico de vida totalmente divorciado do conhecimento de Deus.
Somente quem tem uma subvida, quem vive chafurdando até o pescoço em um pântano nauseabundo de loucura, ou anda de braços dados com o pecado é que compara Deus a homens, como se ele não fosse o Senhor de tudo e de todos.
Essa era a minha situação.
Minhas palavras refletiam apenas o real estado da minha alma até então vazia de significado.
Apesar de minha truculência, aquele homem continuava sereno.
Seu ar de tranquilidade me dava sinais que surpresas surgiriam ainda naquela tarde.
"A água dessa fonte não é própria para matar a sede!" - falou.
E acrescentou: "Quando mencionei água viva, não me referia a esta, que por mais que você beba, sempre precisa retornar aqui para beber mais e mais, pois volta a ter sede. Eu tenho uma água que aquele que se dessedenta dela, nunca terá sede novamente. E mais: essa mesma água se fará nele uma fonte que jorra para a vida eterna".
Era uma proposta tentadora.
Confesso que me atraiu.
Era tudo que eu precisava naquela etapa da minha vida.
Imaginei como seria bom carregar em mim mesma uma fonte e não ter que voltar ao poço todos os dias.
Apesar de não ter entendido o elo entre a fonte e a tal vida eterna que mencionara, por achar irrelevante naquele instante, aceitei sua oferta: "Ok! Você me convenceu. Essa água me trará ótimos dividendos. Eu quero dela sim.".
"Que bom que aceitou." - disse.
"Então vá chamar seu marido e voltem para buscá-la." - acrescentou.
Aquele homem tocara no ponto nevrálgico da minha existência.
Por que maltratar alguém assim? Ele não poderia simplesmente me dar a água e ponto. Tinha que agir assim tão indelicadamente?
Eu pensei em sair e trazer alguém que fingisse ser meu marido.
Pensei até em sair dali e não voltar mais.
Tinha certeza que ninguém viria atrás de mim.
Mas havia algo acontecendo durante aquele encontro que me impedia de tomar qualquer atitude extrema.
E me impediu também de continuar mentindo.
"É impossível senhor. Pois não tenho marido." - disse a ele.
Admitir isso foi um duro golpe em meu orgulho.
Tive vontade de esconder minha cabeça em um buraco.
De fato, se houvesse um buraco em minha frente, teria me lançado toda dentro dele.
Esse era o tamanho da minha vergonha.
Eu esperava ouvir uma gargalhada ou uma trilha de risadas... Não ouvi.
Meu coração se preparou para uma reprimenda... Nada!
Pelo contrário, o que ouvi foi uma palavra de elogio: "Parabéns. Eu sabia que você seria capaz de admitir essa verdade".
Fiquei confusa.
Que tipo de homem era aquele que no lugar de me execrar, me louva?
Minhas dúvidas começaram a se dissipar quando ele retomou sua fala: "Pois por cinco vezes foi casada e o homem que hoje divide a cama com você não é teu marido".
Meu alicerce começou a ruir de vez.
A base da minha construção de vida foi fortemente abalada por aquela voz que só podia ser profética.
Então me lancei aos pés daquele desconhecido, suplicando que me ajudasse em minha procura pelo Deus Verdadeiro.
Pois já o havia buscado dentro das tradições familiares e nada de encontrá-lo.
Havia pensado em viajar até Jerusalém, local indicado pelos judeus como o centro da adoração, para ver se conseguia achá-lo.
Mas a pergunta que não queria calar ainda perturbava a minha alma: Onde está Deus?
Eu precisava Dele mais do que nunca.
Anelava por Ele.
Ansiava encontrá-Lo.
Necessitava adorá-Lo.
"Onde está Deus? O senhor, que é profeta, sabe?"
Sua resposta não poderia ter sido mais contundente: "Está chegando um novo tempo em que as tradições não vão mais ditar as regras de adoração ao Pai. Aliás, já chegou a hora em que as únicas regras para que os verdadeiros adoradores adorem ao Deus Vivo são essas: em espírito e em verdade! Deus não se limita a pontos geográficos sejam eles montanhas ou templos. Deus é Espírito e por isso só aceita que seus filhos façam isso de forma espiritual e verdadeira."
Enquanto eu digeria essas palavras, ele me deu a chave da vida: "Pessoas com essas características estão sendo procuradas pelo Pai."
Essa revelação derrubou todas as minhas fortalezas.
Meu coração irascível e desesperadamente corrupto de desfez como "manteiga derretida" diante daquelas palavras poderosas que ecoaram dentro mim: "Deus está te procurando! Deus está te procurando! Deus está te procurando!"
Minha procura havia terminado.
Totalmente convencida daquela verdade, decidi encerrar a conversa e seguir meu caminho, certa de que quando o Messias viesse nos contaria todo o resto e nos ensinaria o caminho de Deus.
Disse isso ao peregrino e me despedi desejando-lhe boa viagem.
Virei-me para apanhar meu cântaro e partir quando ouvi sua voz da forma mais maravilhosa: "Eu sou o Cristo. Eu, que estou falando contigo!"
Meus joelhos fraquejaram e minhas mãos estremeceram; meus olhos marejaram e minha voz ficou embargada se recusando a sair.
"É ele, o Cristo de Deus! É o salvador, eu o encontrei!" - disse a mim mesma.
A beleza daquela cena ainda está gravada em minha retina.
A pureza do seu olhar e a doçura da sua voz ainda retumbam em minha alma, me fazendo descansar no Deus da minha vida.
Depois disso não pude falar logo com ele, pois um grupo de amigos seus veio ao seu encontro trazendo sua comida.
Extasiada de contentamento e de alma lavada, corri até a cidade para dar as boas-novas a todos os que encontrasse pelo caminho.
"Achei o messias - dizia eu. "Vinde e vede."
Quando o reencontrei mais tarde, ele me disse que ainda não havia tido fome, pois estava saciado pelo simples fato de estar fazendo a vontade do Pai.
Ele ficou conosco ainda por dois dias.
Não fez nenhum sinal extraordinário como costumava fazer por onde passava.
Não curou nenhum paralítico nem ressuscitou nenhum morto, mas tudo o que disse mudou nosso modo de encarar a vida e nos trouxe consolo e salvação.
Ele seguiu seu caminho juntamente com seus amigos.
A nós, restou a certeza de que aquele peregrino é verdadeiramente o Cristo, o Salvador do mundo!
Adriano Roberto
Bragança Paulista, 30.08.2010
terça-feira, 10 de agosto de 2010
À PROCURA DA FELICIDADE
"NÃO EXISTE CAMINHO PARA A FELICIDADE. A FELICIDADE É O CAMINHO"
Mahatma Ghandi
"EU SOU O CAMINHO..."
Jesus
Tramita na Câmara dos Deputados, uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), protocolada pela deputada Manuela D'Ávila do PCdoB-RS, que visa garantir a todos os brasileiros o direito à busca da felicidade.
De acordo com a PEC, o artigo 6º da Constituição Federal passa a considerar como "direitos sociais, essenciais à busca da felicidade, a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição".
Tudo o que é proposto pela PEC já está na Constituição, exceto a "busca da felicidade".
A meu ver, esse é mais um projeto de quem tem muito pouco o que fazer, do contrário, essas mesmas pessoas estariam lutando para que tudo o que é considerado como "direito social", já garantido constitucionalmente, fosse de fato proporcionado a todas as pessoas.
Mas deixando de lado a hipocrisia dos políticos brasileiros, falemos do que realmente importa: a felicidade!
Ah! Essa tal felicidade!
Quem não gosta dela? Acredito que todos a buscamos.
Vivemos em função de alcançá-la.
Investimos anos em estudos por causa dela.
Gastamos nossa juventude buscando obtê-la.
Alguns se casam pensando encontrá-la em outra pessoa.
Outros "torram" rios de dinheiro, enquanto outros tantos afirmam que esse mesmo dinheiro não a trás. Há ainda os que pensam que no dia em que tiverem muitas posses, serão de fato felizes.
Existem até alguns que se tornam religiosos pensando ter na religião, seja ela qual for, (espiritismo, islamismo, budismo, cristianismo, hinduísmo ou qualquer outro "ismo"), a verdadeira felicidade.
Ah! Essa tal felicidade!
Será que um dia conseguiremos realmente encontrá-la?
E você que agora lê estas linhas, se sente feliz?
Antes de responder, preste atenção à pergunta: você SE SENTE feliz?
Não estou perguntando se você É feliz, mas se sente feliz.
Pois existe uma distância abismal entre ser feliz e estar feliz.
Podemos ser extremamente felizes e vez por outra, devido às circunstâncias, nos abatermos; e também podemos muitas vezes nos sentir felizes por tudo aquilo que nos ocorre, sem nunca ter experimentado a verdadeira felicidade.
Não dá para mensurar a verdadeira felicidade tendo como referência somente aquilo que nos acontece no cotidiano.
E é possível que SEJAMOS felizes mesmo que por muitas vezes não SINTAMOS que somos.
O grande problema é que poucos de nós conseguimos distinguir as duas coisas.
Ghandi foi um desses.
Esse cara, que nem cristão era, sacou que o grande barato da felicidade é que ela não é um alvo a ser conquistado, um objetivo que temos que ter na vida, um porto aonde uma hora ou um belo dia vamos "atracar nossa embarcação já tão açoitada pelas ondas desse mar bravio da vida", ou qualquer coisa nesse sentido.
O lance é outro: a felicidade está no caminho... É enquanto a gente vai seguindo no chão da vida, caindo e levantando, rindo e chorando, amando e odiando, abraçando e sepultando, que a felicidade é vivenciada.
Enquanto se caminha (se vive), a gente passa por momentos de alegria e de tristeza, mas não são eles que determinam se somos felizes ou não.
A gente só é feliz quando nós mesmos decidimos que assim somos; quando a gente decide que nada que nos acontece é fator determinante para nossa certeza de espírito, sim por que ser feliz é uma certeza de espírito.
É algo que se sabe no coração, certeza que excede ao entendimento inebriado pelas necessidades urgentes do ser humano e que nos deixam de olhos e corações embaçados para compreender a doçura do caminhar.
Ghandi discerniu isso.
Parece que consigo ver o sorriso em seu rosto quando termina de escrever essas palavras: "a felicidade é o caminho".
Sim, por que todo o ser humano quando faz uma nova descoberta se enche de orgulho próprio, qualquer ideia nova que surja na nossa cabeça a gente logo supõe que seja o ovo de Colombo, é natural.
Mas permita-me contrariá-lo, caro Ghandi! Nada do que você descobriu é novo.
O HOMEM que andou na Galiléia, Jesus, já tinha deixado isso bem claro.
O Mestre já havia dito: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida".
Ele não é aquele que mostra o caminho, nem um acompanhante para o caminho, mas é ele, Jesus, o próprio caminho.
Caminho que conduz à vida.
E vida aqui não está relacionada com a questão fisiológica da coisa.
Jesus não está falando que ele é o resultado de uma relação entre um homem e uma mulher onde é gerado um novo ser e etc.
Não! Quando fala de vida, ele está falando de felicidade na essência, pois ele mesmo disse: "Eu vim para que vocês tenham vida, e a tenham em abundância".
Não o arremedo existencial que muitos de nós temos experimentado.
Não um passar pelo mundo.
Não o vazio relacional que nos abate.
Não um viver marcado por ascetismo e indulgências em nome da fé.
Não! Não acredite nisso, não insista nessa mentira do diabo!
E não importa também se o seu caminho parece correto.
Se há flores na estrada...
Se há beleza e leveza em sua jornada...
Na saída de casa o filho pródigo também encontrou tudo isso.
Olhe para ele!
Montando seu alazão, com os bolsos cheios e trajando sua melhor roupa ele sai da casa do pai para começar seu próprio caminho na vida.
As mais belas mulheres, as melhores "baladas", os melhores restaurantes, o melhor vinho!
Não te parece um caminho legal?
Mas ficou só no jeitão, só no estereótipo.
Logo o dinheiro do menino acabou e junto com ele seu sonho de liberdade.
Logo ele terá de comer as bolotas dos porcos e culpar o mundo pelo seu fracasso.
Flores no início. Lavagem no final.
Beleza e leveza na partida. Lama e sujeira antes do fim.
O caminho de ida não deu em nada.
Mas graças a Deus que ainda dá para voltar.
Vamos segui-lo?
Pense em como ele está agora!
Aquele homem lindo em sua montaria não existe mais.
Sua barba agora é grande, sua pele enrugada e queimada, está despenteado, com a roupa rasgada, com os pés encardidos, e sem uma única moeda no bolso.
Envergonhado? Talvez até demais para levar a viagem até o fim.
Mas quer saber por que ele continuou?
Por que apesar de seu estereótipo agora ser o da desgraça, seu coração caminhava na graça do Deus que aceita e perdoa e que ele conhecia muito bem.
Aliás, todo caminho humano em busca da felicidade é um caminho maquiado, e com certeza seu final será apenas de frustração.
Mas a proposta de Jesus é maior, é melhor: VIDA ABUNDANTE! FE-LI-CI-DA-DE!
E essa felicidade está no Caminho, ou seja, Nele próprio!
Quando se sabe dessa verdade, a gente vive cantando como Paulo em 2 Corintios capítulo 4 versículos 8 a 10, ouça o bandeirante da fé entoando:
"De todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos. Trazemos sempre em nosso corpo o morrer de Jesus, para que a vida de Jesus também seja revelada em nosso corpo".
Doce e suave canção aos ouvidos dos caminhantes!
Faça dela a sua canção também!
E saiba que Aquele que começou esta caminhada contigo, e que é o próprio caminho, jamais te deixará e nunca te abandonará!
Caminhe pensando nisto!
Nele, que não criou nenhuma PEC, mas que sancionou com seu próprio sangue a lei do Espírito de vida que nos libertou do pecado e da morte, e que se fez o chão da nossa existência até então vazia de significado, para nos levar de volta ao Pai.
Que Deus te abençoe!
Adriano Roberto
Bragança Paulista
07.08.2010
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